Integrando IT, OT e AI para a competitividade no mundo real - Stefanini Brasil

Integrando IT, OT e AI para a competitividade no mundo real

Um artigo de Marco Stefanini, originalmente publicado no SmartIndustry.

A AI se torna real quando está integrada às operações do dia a dia, próxima ao processo, melhorando decisões onde a performance é efetivamente criada.

O que você vai aprender:

  • Os maiores ganhos com AI não vêm da compra de novas máquinas. Vêm de extrair mais performance do que as plantas já têm.
  • Quando a AI é integrada ao controle de processos, ela pode otimizar o consumo em tempo real, adaptando-se às condições em mudança mais rápido do que as abordagens manuais.
  • Modernização não significa substituir tudo. Significa conectar os sistemas operacionais à inteligência digital.

Na Hannover Messe 2026, durante minha sessão “AI and Industrial Energy” e nas conversas ao longo do evento, uma mensagem ficou inequivocamente clara: a competitividade industrial está entrando em uma nova fase. Ela será definida pela eficácia com que as empresas conectam IT, OT e AI para gerar valor mensurável dentro das operações.

Nos setores de alta intensidade energética e na manufatura avançada, a oportunidade já não é teórica. É imediata, quantificável e já está redefinindo como as plantas líderes operam. O que está mudando não é a ambição. O que está mudando é o padrão. Os resultados precisam aparecer em estabilidade, throughput, qualidade e desempenho energético.

Este ano tem um simbolismo adicional. O Brasil ocupou o centro do palco como País Parceiro oficial, e isso importa. A Hannover Messe é um dos palcos industriais mais importantes do mundo, na Alemanha, um país que representa a excelência em manufatura. A presença do Brasil sinaliza algo em que acredito profundamente: escala importa, mas execução importa mais.

Quando analiso a inteligência artificial industrial hoje, vejo uma prioridade clara. Os maiores ganhos não vêm da compra de novas máquinas. Vêm de extrair mais performance do que as plantas já têm, por meio de otimização de processos, redução de variabilidade e uso mais inteligente dos dados e sistemas de controle existentes.

Eficiência energética não é um desafio de ativos. É um desafio de dados.

É por isso que a eficiência energética se tornou um campo de batalha decisivo. Não porque o setor de manufatura não tem equipamentos, mas porque frequentemente falta inteligência operacional. Pesquisas recentes, reportadas pelo Financial Times, destacaram a impactante realidade de que o setor industrial deixa aproximadamente 17% do potencial de eficiência energética sem ser aproveitado.

Essa perda não se deve à falta de ativos físicos ou maquinário; deve-se à falta de inteligência operacional e a um desafio de dados. Quando a AI é integrada ao controle de processos, ela pode otimizar o consumo em tempo real, adaptando-se às condições em mudança mais rápido do que as abordagens manuais. É aí que a competitividade se torna tangível: menos desperdício, mais estabilidade, melhor produção e maior resiliência.

Há muito ruído em torno da inteligência artificial. Na indústria, ruído não importa. O valor precisa ser mensurável. A AI se torna real quando está integrada às operações do dia a dia, próxima ao processo, melhorando decisões onde a performance é efetivamente criada. É aí que os resultados aparecem: menor consumo de energia, maior produtividade, menos interrupções, resultados mais previsíveis.

O que ainda é expectativa e não realidade são iniciativas genéricas que se sobrepõem às operações como camadas digitais desconectadas. A AI não pode ser um projeto paralelo; precisa se tornar parte de como a planta opera.

É aqui que muitas organizações encontram dificuldades. Escalar a AI não é primariamente um problema tecnológico. É um problema de integração. A maioria dos ambientes OT legados não foi projetada para integração de dados em tempo real ou otimização autônoma.

A modernização é essencial, mas modernizar não significa substituir tudo. Significa conectar os sistemas operacionais à inteligência digital, passo a passo, com responsabilidades claras e metas de KPI definidas.

A tripla força de IT, OT e AI

O verdadeiro valor emerge quando IT, OT e AI trabalham em uníssono. IT traz arquitetura, cibersegurança, governança e escalabilidade. OT traz a verdade do processo, controle e restrições operacionais, enquanto a AI traz otimização, predição, prescrição e suporte à decisão em tempo real. Quando essas camadas operam juntas, a tecnologia deixa de ser um experimento e passa a fazer parte da cultura operacional da planta.

O papel do Brasil como País Parceiro refletiu mais do que visibilidade. Reflete uma cultura industrial que sabe executar sob restrições reais: escala, complexidade, pressão de custos e mudança constante.

O Brasil combina amplitude industrial com necessidade de flexibilidade operacional e uma abordagem colaborativa em relação à inteligência artificial. Essa combinação acelera o caminho do conceito à execução.

Muitos projetos de inteligência artificial fracassam por uma razão: nunca saem do modo piloto. O escalonamento acontece quando a AI está vinculada a KPIs operacionais e tem responsabilidade clara dentro da planta. Não em um laboratório de inovação desconectado. Não como prova de conceito sem accountability. Dentro das operações, com responsabilidade, governança e metas mensuráveis.

O futuro da indústria pertence às empresas que pararem de tratar a tecnologia como uma iniciativa isolada e começarem a integrá-la ao tecido das operações. A competitividade não será vencida por quem mais falar sobre inteligência artificial. Será vencida por quem integrar IT, OT e AI para gerar performance, todos os dias.

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